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segunda-feira

O Segundo Armário ganha versão impressa





Escrito sob o pseudônimo Gabriel Abreu, a versão impressa de “O Segundo armário: diário de um jovem soropositivo”, de Salvador Correa, foi baseada no ebook homônimo lançado em 2014 e que hoje está entre os 10 primeiros em download na categoria LGBT de ebooks gratuitos na Amazon do Brasil. A edição da Editora Autografia, no entanto, conta com novos textos, ainda mantendo aqueles retirados do seu blog exatamente como foram escritos.
Nessa autobiografia, Salvador mostra seus medos e preocupações ao descobrir que é portador de HIV e como aprendeu a lidar com isso em uma coletânea de textos escritos para seu “diário virtual”, que iniciou em 2011. Começou o blog por necessidade de desabafar e organizar seus pensamentos, pois sentia que não poderia conversar sobre o assunto com as pessoas que mais amava. Salvador então diz ter se escondido em um “Segundo Armário” (considerando que o primeiro foi a homossexualidade), criando um nome fictício para que suas publicações permanecessem anônimas.
Quer conhecer o livro? Disponível para compra em: http://goo.gl/chxJCL
Depois de viver situações de discriminação por causa de seu diagnóstico, o autor percebeu que era preciso fazer alguma coisa para despertar no outro algum interesse e envolvimento pela causa. Com apoio e motivação que encontrou no e-mails que recebia de seus leitores, Salvador decidiu que era hora de publicar seus textos e mostrar para a sociedade a importância do combate ao estigma e discriminação no que se refere ao HIV.
Se antes se escondia dentro de seu segundo armário e escrevia textos carregados de tristeza e melancolia, hoje Salvador lida melhor com a situação e vive abertamente com seu diagnóstico. Esse amadurecimento é perceptível em sua obra, que ao final traz textos mais alegres e com um resgate de seus projetos de vida. “A forma como hoje eu lido com o HIV e a transformação dessa experiência em militância certamente resultam, em partes, desse processo [de amadurecimento]”, conta o autor.
Fonte: Blog Autografia 

quinta-feira

Discriminação no serviço público: o que fazer?



Você conhece alguém que sofreu discriminação por ter HIV em serviços públicos e não sabe o que fazer? Seguem algumas orientações importantes para você falar com quem precisa dessa ajuda:

1) Assistência jurídica - vai te permitir rever os danos (Morais, materiais...) de atitude discriminatória: Você talvez precise de um advogado. Através da defensoria pública de sua cidade, ou também faculdades de direito - que costumam disponibilizar esses serviços. Saiba que existe uma lei Nacional que te protege e vale a pena você imprimir e levar, confira: Lei 12.984/2014
2) Denúncia ao Conselho de Ética - vai permitir com que outras pessoas não passem pelo mesmo constrangimento. Através do Conselho Regional de Odontologia/Medicina/enfermagem/Serviço Social/ Psicologia (ou outro dependendo do profissional que te discriminou). Nesses conselhos regionais você entrará com um processo ético (não necessita de advogado), e o Conselho fará alguma intervenção (orientação ou punição) para evitar essa atitude novamente por parte d@ profissional denunciad@
3) Denúncia aos órgãos públicos responsáveis pelo serviço - permitirá dados para um aprimoramento dos serviços públicos e também deverão prover atendimento imediato para você. Inicialmente, no próprio serviço, você deve contatar @ gestor@/administrador@ para fazer a denúncia e cobrar soluções. Você pode também recorrer à secretaria municipal/estadual responsável pelo serviço (saúde, assistência social, educação, habitação, etc - muitas possuem um serviço de ouvidoria para esses casos). Você pode ainda recorrer à ouvidoria Nacional que é mediada pela ONG Pela Vidda Niterói - ouvidoria.gpvnit@gmail.com - e assim o ministério da saúde poderá ter ciência do fato.

Seu sigilo deve ser garantido em todas as opções acima. Lembre-se sempre: "Ninguém vale a lágrima da rejeição".

O outro e o medo



Utilizo todas as tecnologias possíveis de socialização, e, quem sabe, dessa forma poder ampliar a possibilidade de conhecer pessoas interessantes. Já tô no Grindr, Scruff, Tinder... Confesso que os dois primeiros apresentam um cunho mais, digamos, picante. Tá bom, é sexual mesmo Cláudia! Mas com o Tinder tem sido diferente.
Comecei a conhecer pessoas interessantes, que mostram sua face, e não apenas faces do corpo. No tinder tenho encontrado pessoas mais interessantes. Talvez seja por sorte. Mas ainda acredito que as pessoas nesse aplicativo não buscam apenas sexo. Possibilitam um intercâmbio maior. Se mostram mais, em muitos sentidos. Fora que o fato de ter que entregar o coração para iniciar a comunicação é algo pra lá de fofo, né?!
Recentemente encontrei duas pessoas que teclava pelo Tinder. Fiz uma opção arriscada: quando sinto que há interesse mútuo, falo do HIV. Faço isso porque não tenho tido vontade de sexo por sexo; nem mesmo ficada por ficada. Com a proximidade dos 30, um amadurecimento que impera a construção de relações que superam duas horas de contato sexual.
O primeiro encontrei numa festa e ele chegou de surpresa. Eu já havia tomado algumas taças de espumante quando avisto o mesmo e o chamo pelo nome (uma grande vantagem do Tinder). Conversamos bastante e senti que o papo estava fluindo. Fiquei com medo de sua reação, mas ainda assim falei com ele sobre o HIV, antes mesmo do primeiro beijo. Eu não acreditei quando ouvi: “mas não pega por beijo, né?!” (Putz, isso vindo de um cara inteligente e que eu acreditava ser informado). Eu prontamente respondi que não e em seguida nos beijamos. Logo depois ele me disse que ele nunca conseguiria usar camisinha com seus namorados. Eu respondi que pensando dessa forma ele teria maior possibilidade de contrair diversas infecções sexualmente transmissíveis, inclusive o HIV. Dias depois permanecemos em contato via facebook e tinder; foi perceptível o distanciamento a la “não tenho preconceito; serve pra ser meu amigo, mas namorado não”.
O segundo encontrei num café num famoso shopping do Rio. Duas horas de uma agradável conversa e chegou a hora de ir embora. Fiquei tímido, talvez pela ausência do álcool, bebida que, por escolha pessoal, tenho feito abstinência nas últimas semanas. De repente, ainda na escada rolante, percebo que tive um beijo roubado. Depois mais outros dois até o caminho do meu ônibus. Pensei: “esse fugiu da minha regra; ainda não falei do HIV”. Continuamos em contato via Scruff, por onde resolvi falar do vírus. A resposta foi: “você deve saber dos meios de prevenção, né?!”. Seguimos até hoje em contato, um pouco menos intenso e algo (penso) sendo mais encaminhado para uma amizade.  
Me pego pensando: “E agora? Como agir com os próximos possíveis namorados?” Como a escolha de falar do vírus ocorre após um “certo” conhecimento da pessoa, penso em continuar um pouco mais por esse caminho. Eu vou seguir o som!


sábado

(Des)Construção Interna



Essa semana começou terrível e terminou mal. Mas penso que nada ocorre por acaso, existe um propósito que tem se concretizado aos poucos em minha vida: minha espiritualização.
No início da semana passei uma grande violência, e levaram todos meus pertences. A memória desse evento é torturante demais, algo que não entrarei em detalhes. Felizmente o resultado foi apenas algumas perdas materiais, nada que não pudesse ser resolvido durante a semana em processos chatos e burocráticos (hospital, DETRAN, delegacia...). Esse evento serviu para continuar um processo de espiritualização que eu havia resgatado com o Daime.
Após poucos dias de muito medo e terror mental, resolvi voltar a sair e tentar enfrentar os pensamentos automáticos que insistiam em me amedrontar quando pensava em “rua” – compreensível em casos de estresse como o que passei.
Pois bem, acabei encontrando com uma criatura com uma energia péssima, que, em cada comportamento, exalava sentimentos ruins como: inveja, ódio, competição, etc. Após algumas ofensas, uma se relacionou ao HIV, tentando afastar um possível “ficante” de mim. Tentativa frustrada, considerando que o papo continuou muito bom. Saí da festa, muito agradecido. Estava em execução o “Livrai-me de todo mal, amém!”.
Hoje, no final de uma semana muito carregada e sofrida, me sinto mais forte. A vida não cansa de me ensinar a crescer através do sofrimento. Quando penso que estou no meu limite, percebo o quão forte tenho sido. Sou grato ao Universo, à Deus (ou boas energias, como quiserem chamar) por me permitir essa evolução.
Longe de querer me institucionalizar em alguma religião específica, me sinto em paz e cercado de boas energias. Elas podem vir de uma canção, oração, uma pessoa querida, um amigo ateu, minha família, amigos... Quero pessoas que possam compartilhar a beleza da vida e a troca de boas vibrações. Tenho sede de luz, vida, bons papos. Que a próxima semana seja de muita calma e muita tranquilidade!


Calma e Tranquilidade - Deva Premal

quarta-feira

Aceito!



Hoje experimentei a sensação de ser aceito. Recebi dele uma energia única, jamais experimentada. É receber da vida um presente divino, onde as energias são superiores, e como se o patamar físico da esfera carnal fosse apenas parte de um processo. É como um tapa da vida falando: “tá de sacanagem?! Deixa, vai!”. Um tapa da vida trazendo surpresas. Uma sensação única, que só o HIV traz. 

- Isso nunca aconteceu comigo. Acho que nunca fiquei com alguém com HIV, pelo menos não que eu saiba. Você é especial e tenho certeza que isso te faz crescer.

Beijos, abraços, carinhos e otras cositas más.

Como isso aconteceu comigo, e sei bem a pessoa que sou, não podia passar sem lágrimas; não de tristeza. De luz, de alegria... de elaboração. Lágrimas que externalizavam uma “rejeição” que estava presa e no fundo sempre me corroeu; principalmente por crer nela a única possibilidade.
Enquanto  ser rejeitado é uma das piores sensações que alguém pode viver (é como se você se tornasse um vírus momentâneo, que a qualquer momento pudesse se espalhar no outro), ser aceito é aceitar uma luz, energia única, poucas vezes experimentada. Plenitude.



 - Boto fé, cara!
 

Obrigado por hoje, obrigado por essa sensação, obrigado por essa vida! Axé!

Contando tempo

Sempre que me proponho a contar para alguém próximo a sorologia, fica um sentimento muito ruim. Esse sentimento dura alguns dias e é como se eu tivesse que lidar novamente com um processo de descoberta. A descoberta do outro.
É sempre difícil, não importa a situação, falar sobre o HIV e questões relativas à contaminação.  Ontem falei para mais uma pessoa. Ultimamente ela tem sido a única pessoa, juntamente com minhas sobrinhas, que consegue me transmitir alguma motivação para viver. Sinto uma energia muito boa que vem da mesma. Compartilhei pensando que desta forma pudesse auxiliá-la a lidar com uma situação difícil. Grande engano... agora ela terá que lidar com duas situações difíceis.
A verdade é que nestes últimos dias tenho sofrido muito. Minha instabilidade emocional tem me corroído e pouco desejo e energia de vida têm restado dessa confusão.
Os medos que cercam o processo de contar são os mesmos que me motivam a ficar protegido numa bolha, fora do contato social. Lamentavelmente isso não é possível, embora eu acredite que seria muito mais fácil. O ser humano é, por natureza, um ser sociável.
Ela falou palavras bonitas que lamentavelmente não fazem muito sentido pra mim. Vejo tantos relatos de pessoas que começaram uma “nova vida”, buscaram viver intensamente cada instante. Comigo tem sido diferente. Não consigo ver nada de positivo que não seja a própria presença do vírus. Não me tornei uma pessoa melhor, não sou mais feliz, não vivo intensamente, nem mesmo tenho tido desejo de viver.
A minha esperança é que essas sensações sumam de minha vida em duas horas e eu tente prosseguir a sobrevida, como lamentavelmente tem sido cada letra dessa palavra. Amanhã talvez a tristeza volte e o blog continua como válvula de escape. Enquanto houver sobrevida esperança. Esperança no tempo, "compositor de destinos"!


quinta-feira

Lí: Pois Diz Trofia

Nesse um ano e pouco de vivência com HIV consegui superar muitas coisas. Penso que aprendi muito com a doença e consegui elaborar alguns de meus preconceitos e medos.

Entretanto um medo ainda se faz presente e é uma constante quase diariamente na minha vida. A lipodistrofia é, sem dúvidas, a única coisa que ainda me faz pensar em desistir. É o que mais me joga pra baixo e o que mais me deixa em dias de depressão.

Recentemente recebendo uma visita:

- Como você emagreceu! Dá pra ver no seu rosto.

Obervação: engordei um quilo desde minha última consulta.

Tudo bem, tenho malhado e isso altera o corpo. A questão é que essa fala junto com algumas fotos recentes que tirei do meu rosto alimentaram em mim a crença de que meu corpo está mudando.
Esse pensamento é muito auto-destrutivo. Nesses dias como hoje, chego do trabalho, escuto Elis, fico triste, não vou malhar, não atendo ligações, não ligo a televisão e nem macoha fumo mais, pois resolvi parar.

Sigo na esperança de que tudo isso seja apenas fruto da minha imaginação. Não queria carregar comigo esses pensamentos. Não quero carregar o HIV no meu rosto e não queria ter pensamentos que discriminam quem tem esse terrível colateral. Tenho medo do futuro, tenho medo de mim e tenho medo das pessoas. As vezes me sinto fraco. E tenho vontade de deixar esse vento me levar.

Amanhã eu acordo e vejo que hoje foi apenas um dia ruim.



sábado

Qual o limite da liberdade?


Recentemente recebi algo que muito me chocou. A Ministra da Cultura da Suécia e outras personalidades conhecidas, com muitas fotos e risadas, comeram um bolo de chocolate que representava uma mulher negra angolana.



Isso me causa muita revolta. As vezes tenho a sensação que os retrocessos nunca acabam. Me pergunto qual é o preço que se paga pela "liberdade"? Temos liberdade para tamanha ofensa racista?

Tudo me pareceu muito mais uma grande festa. Nem o argumento da "liberdade artística" e muito menos o da “crítica a mutilação” me convencem.
Cada vez mais eu acho que a pobreza, a miséria, a AIDS, a vida em geral se torna mercadoria desse capitalismo que tudo absorve... as vezes para o mal, como o vídeo acima e às vezes para o bem, com produção de crítica comercial construtiva, como é  o caso da Madonna no vídeo abaixo. 



 Fica a pergunta: qual o limite para a liberdade?

quarta-feira

Brincar de viver

Tem dias que certa tristeza insiste em me dominar. Hoje é um deles. Preguiça de fazer planos e executar os planejamentos. Preguiça de continuar a trajetória e vontade apenas de desviar o caminho. Como o gato vive dizendo... pra quem não saber aonde vai qualquer caminho é válido.

A solidão bate na porta, e as vezes insisto em convidá-la para dormir comigo. E por que não transar comigo. Quero contaminar a solidão e deixá-la sem tratamento na esperança que ela padeça aos poucos e dolorozamente.

Já culpei a medicação muitas vezes por esses momentos. Meu médico falou que é possível que ela seja culpada mesmo. Assim como vem rápido, vai rápido. Mas penso que isto está mais relacionado a minhas ambições e insatisfações em vários âmbitos da minha vida.

Já superei parte de minha rejeição interna a mim mesmo; fruto da descoberta do vírus social que eu possuía e não sabia. Agora preciso superar a mim mesmo, a cada dia. A tristeza só se soma a vontade irremedialvel das descontinuidades. O que faz todo sentido. Quem disse que a vida deve ser linear?

Como diz um grande blogueiro amigo: "Enfim, é o que tem pra hoje!!"


segunda-feira

Médico novo – Dr. HumanizaSUS

Mais um dia de consulta... mais remédios... camisinhas. Calma gente... esses remédios são para 3 meses e as camisinhas também. Aliás, se eu trepasse a quantidade de vezes que meu Centro de Tratamento acha que eu trepo eu certamente seria muito mais feliz.


Estava um pouco desconfiado, pois não sabia ao certo como seria este processo de mudança. Gostava do meu último médico... era atencioso e conversávamos bastante. Ele era muito diferente da Dra. Moral.

Chegando no consultório, após de ter colaborado com uma pesquisa sobre o início da medicação, uma pequena espera, nada além do que o usual em qualquer consulta; entrei na sala do médico.
O cara todo moderninho, gato, sotaque carioca, com piercing e tudo mais. Ops... foco NinguémPorAí, respeite a aliança gigante que ele tem na mão!  Assim começou a melhor consulta que tive na minha vida até hoje. O acolhimento, a atenção, paciência, explicação e a investigação permaneceram durante uma consulta longa e muito esclarecedora. Achei impressionante encontrar com este médico. Dá até orgulho do SUS.
Só teve um probleminha na consulta: ele implicou com meu baseado. Obviamente que de uma forma muito informativa e pouco julgadora. Falou sobre os malefícios futuros que posso vir a ter usando cannabis, especialmente por não ter filtro. Ahamm... aqui está a solução:
 





Eu fico impressionado como os profissionais que nos atendem interferem em nosso estado de saúde. A forma como a consulta é conduzida muito influencia no tratamento, especialmente na hora de fazer o uso certo da medicação. Lembro-me da terrível sensação que foi sair do consultório de Dra. Moral. Me sentia sujo, portador de um monstro, e muito culpado por tudo.
Dedico essa postagem a todos profissionais da saúde humanizadores que multiplicam vida por aí. Agradeço muito ao Dr. HumanizaSUS pelo bravo e brilhante atendimento. Nunca imaginei dizer isso: já não vejo a hora de voltar pra próxima consulta!

sexta-feira

Contar ou não para a família?


Tenho me sentido cansado. Sabe aqueles dias que você tem estado sem força pra sustentar um sorriso de propaganda de creme dental? Pois é, o pior é que em 95% do meu tempo no trabalho preciso desse sorriso.

Tenho pensado muito mais na minha família. Acho que eles seriam as pessoas que mais me dariam apoio se soubessem desta carga que tenho sido obrigado a suportar. Mas ao mesmo tempo tenho medo. Penso em falar aos poucos, meio que numa tentativa de preparar o terreno. Mas o fato é que sinto a necessidade de falar. Não me vejo escondido para sempre, mas também não quero encarar toda a carga de preconceito que a escolha do "contar" traz em si. Difícil, né?!

A primeira da lista em minha família será minha irmã. Creio que ela é a que mais tem condições para lidar com esse tema. Para isso já comprei vários livros de pessoas que vivem com HIV. Minha irmã é uma amante da leitura. Tenho lido cada um desses livros para ver qual poderia me auxiliar nesse processo com ela.

Falar pra família é tão difícil quanto receber a notícia. Falo isso sem sombra de dúvida. Às vezes me sinto com uma bomba na mão, e o mais difícil é passar essa bomba para pessoas que amo. Tenho muito medo das reações. Mas entendo também que poupá-los desta notícia implica também em me poupar do apoio e carinho que certamente eu teria. Um abraço da minha irmã, um carinho nos dias difíceis, alguém para eu saber que está do meu lado. Tenho sentido cada dia mais falta. Mas o medo também faz parte de mim. Ele faz algumas previsões negativas.

Dentro do meu silêncio espero escutar a coragem. Isso me falta. Isso faz parte da opção pela vida. Me sinto o mais preconceituoso de todos, pois sempre espero do outro uma atitude de repulsa. Por exemplo, se minha irmã se negasse em tomar água no meu copo isso me doeria tanto que esse tipo de pensamento me impede de falar. Viver numa bolha me protege do mundo. Mas meu mundo deve se restringir a uma bolha?