Utilizo todas as tecnologias possíveis
de socialização, e, quem sabe, dessa forma poder ampliar a possibilidade de
conhecer pessoas interessantes. Já tô no Grindr, Scruff, Tinder... Confesso que
os dois primeiros apresentam um cunho mais, digamos, picante. Tá bom, é sexual
mesmo Cláudia! Mas com o Tinder tem sido diferente.
Comecei a conhecer pessoas
interessantes, que mostram sua face, e não apenas faces do corpo. No tinder
tenho encontrado pessoas mais interessantes. Talvez seja por sorte. Mas ainda
acredito que as pessoas nesse aplicativo não buscam apenas sexo. Possibilitam
um intercâmbio maior. Se mostram mais, em muitos sentidos. Fora que o fato de
ter que entregar o coração para iniciar a comunicação é algo pra lá de fofo,
né?!
Recentemente encontrei duas
pessoas que teclava pelo Tinder. Fiz uma opção arriscada: quando sinto que há
interesse mútuo, falo do HIV. Faço isso porque não tenho tido vontade de sexo
por sexo; nem mesmo ficada por ficada. Com a proximidade dos 30, um
amadurecimento que impera a construção de relações que superam duas horas de
contato sexual.
O primeiro encontrei numa festa e
ele chegou de surpresa. Eu já havia tomado algumas taças de espumante quando
avisto o mesmo e o chamo pelo nome (uma grande vantagem do Tinder). Conversamos
bastante e senti que o papo estava fluindo. Fiquei com medo de sua reação, mas
ainda assim falei com ele sobre o HIV, antes mesmo do primeiro beijo. Eu não
acreditei quando ouvi: “mas não pega por beijo, né?!” (Putz, isso vindo de um
cara inteligente e que eu acreditava ser informado). Eu prontamente respondi
que não e em seguida nos beijamos. Logo depois ele me disse que ele nunca conseguiria
usar camisinha com seus namorados. Eu respondi que pensando dessa forma ele
teria maior possibilidade de contrair diversas infecções sexualmente transmissíveis,
inclusive o HIV. Dias depois permanecemos em contato via facebook e tinder; foi
perceptível o distanciamento a la “não tenho preconceito; serve pra ser meu
amigo, mas namorado não”.
O segundo encontrei num café num
famoso shopping do Rio. Duas horas de uma agradável conversa e chegou a hora de
ir embora. Fiquei tímido, talvez pela ausência do álcool, bebida que, por
escolha pessoal, tenho feito abstinência nas últimas semanas. De repente, ainda
na escada rolante, percebo que tive um beijo roubado. Depois mais outros dois
até o caminho do meu ônibus. Pensei: “esse fugiu da minha regra; ainda não
falei do HIV”. Continuamos em contato via Scruff, por onde resolvi falar do
vírus. A resposta foi: “você deve saber dos meios de prevenção, né?!”. Seguimos
até hoje em contato, um pouco menos intenso e algo (penso) sendo mais
encaminhado para uma amizade.
Me pego pensando: “E agora? Como agir com os
próximos possíveis namorados?” Como a escolha de falar do vírus ocorre após um “certo”
conhecimento da pessoa, penso em continuar um pouco mais por esse caminho. Eu vou seguir o som!