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sábado

(Des)Construção Interna



Essa semana começou terrível e terminou mal. Mas penso que nada ocorre por acaso, existe um propósito que tem se concretizado aos poucos em minha vida: minha espiritualização.
No início da semana passei uma grande violência, e levaram todos meus pertences. A memória desse evento é torturante demais, algo que não entrarei em detalhes. Felizmente o resultado foi apenas algumas perdas materiais, nada que não pudesse ser resolvido durante a semana em processos chatos e burocráticos (hospital, DETRAN, delegacia...). Esse evento serviu para continuar um processo de espiritualização que eu havia resgatado com o Daime.
Após poucos dias de muito medo e terror mental, resolvi voltar a sair e tentar enfrentar os pensamentos automáticos que insistiam em me amedrontar quando pensava em “rua” – compreensível em casos de estresse como o que passei.
Pois bem, acabei encontrando com uma criatura com uma energia péssima, que, em cada comportamento, exalava sentimentos ruins como: inveja, ódio, competição, etc. Após algumas ofensas, uma se relacionou ao HIV, tentando afastar um possível “ficante” de mim. Tentativa frustrada, considerando que o papo continuou muito bom. Saí da festa, muito agradecido. Estava em execução o “Livrai-me de todo mal, amém!”.
Hoje, no final de uma semana muito carregada e sofrida, me sinto mais forte. A vida não cansa de me ensinar a crescer através do sofrimento. Quando penso que estou no meu limite, percebo o quão forte tenho sido. Sou grato ao Universo, à Deus (ou boas energias, como quiserem chamar) por me permitir essa evolução.
Longe de querer me institucionalizar em alguma religião específica, me sinto em paz e cercado de boas energias. Elas podem vir de uma canção, oração, uma pessoa querida, um amigo ateu, minha família, amigos... Quero pessoas que possam compartilhar a beleza da vida e a troca de boas vibrações. Tenho sede de luz, vida, bons papos. Que a próxima semana seja de muita calma e muita tranquilidade!


Calma e Tranquilidade - Deva Premal

quarta-feira

Aceito!



Hoje experimentei a sensação de ser aceito. Recebi dele uma energia única, jamais experimentada. É receber da vida um presente divino, onde as energias são superiores, e como se o patamar físico da esfera carnal fosse apenas parte de um processo. É como um tapa da vida falando: “tá de sacanagem?! Deixa, vai!”. Um tapa da vida trazendo surpresas. Uma sensação única, que só o HIV traz. 

- Isso nunca aconteceu comigo. Acho que nunca fiquei com alguém com HIV, pelo menos não que eu saiba. Você é especial e tenho certeza que isso te faz crescer.

Beijos, abraços, carinhos e otras cositas más.

Como isso aconteceu comigo, e sei bem a pessoa que sou, não podia passar sem lágrimas; não de tristeza. De luz, de alegria... de elaboração. Lágrimas que externalizavam uma “rejeição” que estava presa e no fundo sempre me corroeu; principalmente por crer nela a única possibilidade.
Enquanto  ser rejeitado é uma das piores sensações que alguém pode viver (é como se você se tornasse um vírus momentâneo, que a qualquer momento pudesse se espalhar no outro), ser aceito é aceitar uma luz, energia única, poucas vezes experimentada. Plenitude.



 - Boto fé, cara!
 

Obrigado por hoje, obrigado por essa sensação, obrigado por essa vida! Axé!

sábado

News

Muita coisa tem acontecido na minha vida. Com o tempo, tenho percebido que lidar com o HIV é muito menos difícil do que parece. Inclusive meus momentos “down” estão diminuindo de frequência.
Tenho passado por um período de muitas mudanças. Acredito que sejam positivam e venham agregar vida em minha vida.
Tenho esquecido de que sou soropositivo em alguns momentos, embora e felizmente, não o suficiente para esquecer de tomar os remédios.  Algumas surpresas estranhas apareceram. Tenho buscado investigar todas as possibilidades de doenças no meu corpo e em função disso tenho feito vários exames. Felizmente nada grave apareceu e nem vai aparecer (amém banda?).
Continuo tendo meus lances com uns carinhas. O último foi uma delícia... e de  São Paulo. Mas como é freqüente a fuga na minha vida... mas também ele não demonstrou interesse em nada sério não. Só queria me... então... mas nem rolou. No meio dessa confusão achei um fruto proibido. Mas o nome já diz... proibido! Serpentes me mordam (ui!).
 Termino esse post com uma excelente notícia sobre um grande passo para a cura da AIDS:

http://www.ufrj.br/mostranoticia.php?noticia=12500_Estudo-pode-revolucionar-o-combate-a-Aids.html

segunda-feira

Rótulos

Tenho conseguido estudar pouco, pois para isso tenho que ficar sozinho. Mas quando fico sozinho me encontro com o HIV. O contato com amigos me faz bem, me faz esquecer do peso que o HIV causa em nossa cabeça. Não é o peso da doença em si, mas de perspectivas de futuro, como bem já falou o Mutante em comentários anteriores.

Ué, mas o futuro não é sempre indeterminado? O HIV demarca algum futuro para alguém? Alguém tem certeza das possíveis oportunistas que podem se fazer presente? Alguém está certo sobre os preconceitos que poderá vir passar? E as mudanças corporais? Questões tantas vezes abordadas aqui.

Nada está certo quando se fala de HIV. As possibilidades e os medos são muito mais reflexos de nossas construções coletivas e sociais. Até que ponto esse medo tem ligação com o real? E até que ponto são criações de nossa cabecinha complexa?  Limite difícil de definir.

O fato é que agimos de acordo com a forma que agem conosco, ou da forma que cremos agirem conosco. Percebo cada vez mais que o preconceito em relação ao HIV está muito dentro de mim. É claro que ele também está nas outras pessoas, e as vezes vem de casa como bem explicou o Positivo Sim aqui.  As vezes me pego olhando para minha mão (infectada), fio de cabelo (infectado), rosto (soropositivo), unha (sororeagente). Puta que pariu! Eu sou mais do que o vírus que habita em mim. Preciso colocar a doença entre parênteses para que eu me veja como sujeito.  

Percebo como a sociedade foi e é cruel com pessoas positivas. Há uma capacidade incrível de olhar para a pessoa e ver o vírus. Em se tratando do meio gay a situação piora. Quem nunca ouviu alguém falando que “fulano” está “doce”, com a “maldita”, com a “tia”, “veneno no sangue” . Clicando aqui você poderá acessar um interessante blog que fala dessas gírias. 

Um passo importante para conviver é recriar seus próprios rótulos e redefinir suas regras e leis (insight obtido com a ajuda do blog do Eros. Aproveitando a máxima da propaganda da Sprite: “Imagem não é nada, sede é tudo. Obedeça sua sede!”.

Como já falei sobre parte de minha "cura" aqui, finalizo essa postagem continuando esse processo.

“Eu não vou mudar não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
Não vou ceder
Deus vai dar aval sim
O mal vai ter fim
E no final assim calado eu sei
Que vou ser coroado rei de mim”
Marcelo Camelo (Los Hermanos)