Mostrando postagens com marcador parente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador parente. Mostrar todas as postagens

quinta-feira

Re-lações

Interessante como o tempo passa. Mais interessante ainda é como a gente passa o tempo. Nesse processo de aceitação (ou seria imposição?) de doença crônica em minha vida muita coisa tem mudado. Interessante esse olhar sob novas perspectivas. De uma certa forma é olhar a vida através da morte. Não. Não estou sendo pessimista.
Hoje mais uma vez o HIV/AIDS foi tema central no meu trabalho. To tirando de letra. Acho que vou acabar trabalhando nessa área um dia. Mas voltando... (fuga do tema é zero na redação).
Tenho me aproximado mais de minhas sobrinhas e isso tem sido lindo. Percebi já fazia tempo que não passava um momento com  elas; não falo de corpo, mas de presença mesmo. Lembro sempre do beijo técnico e um “como vai a escola?” tão técnico quanto, mesmo (ou pior) sendo semanal.  A mais velha comemorou seu aniversário na escola e insistiu muito para que eu fosse.  Adiei minha viagem por algumas horas e foi perfeito olhar a cara dela de satisfação. Me vi um tio presente. Coisa simples e que não tem preço (para todas as outras existe mastercard. Sei que é piada sem graça, mas foi mais forte que eu). Tocou Lady Gaga na festa... percebi o quanto estou velho.
O bichinho que me come todo dia (sem duplo sentido por favor; humm, duplo sentido até que não é má idéia) tem me causado coisas boas também. Sempre o culpei tanto. Acho que é hora  de dar a César o que é de César. Essa história de comer, dar... melhor eu mudar essa prosa. Isso pode não acabar bem, se acabar bem...  camisinha! RS
O fato é que tenho valorizado mais pessoas que amo. Recentemente um amigo fez uma série de críticas ao meu jeito de ser e de me relacionar com as pessoas, me acusando de egocêntrico. Me senti mal com suas palavras, mas percebi que ele estava parcialmente certo. Digo parcialmente pois sei que em muitos momentos não dou  atenção merecida a algumas pessoas.... mais por descuido do que por egocentrismo. Por outro lado percebo que me dedico demais as pessoas com a qual me relaciono no trabalho e  me preocupo muito com os sentimentos dessas pessoas. Tenho medo demais de ferir as pessoas que amo. Percebo que tenho feito isso com algumas, mas não é intencionalmente. Me arrependo muito de ter falado para uma pessoa do HIV. Sinto que ela não consegue lidar bem com isso e fico triste quando percebo que a deixei mal desnecessariamente.
Vou seguir cultivando meus amigos, minha família, minhas relações, e meus amores (não sei o porquê do plural, não existe nem o singular ainda, RS). Amigos, me perdoem pelos erros e obrigado por vocês existirem.