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domingo

Sou, Li, Dão!


A solidão é o mais certo dos sentimentos que sinto neste um ano de vivência com o HIV. Por mais que eu saiba que tenho amigos e que também saiba que posso contar com algumas pessoas, insiste em surgir a vontade de me isolar um pouco das pessoas e do mundo.
Por que há essa necessidade tão grande da "não convivência"? O "não contato" com o outro implica necessariamente num contato íntimo comigo. Não vejo a solidão com maus olhos. Penso que seja uma estratégica psíquica de sobrevivência.
Não tenho compromisso com a felicidade, nem com a tristeza. Às vezes a minha liberdade me aprisiona em estágios de repetição da dor. Ser livre para ser só. Tenho uma resposta para isso.
Penso que na troca com o outro espero compreensão ou uma resolução para questões que não cabem ao outro resolver e nem a mim. A mim cabe conviver. A resolução implica numa resposta pronta; ela não existe. Tento me reinventar.  O que mais dói é perceber que algumas pessoas não se reinventam. Inventam de reproduzir suas "mesmices".
Estrada na escolha, escolha na estrada. Não há solução. Estaremos sempre diante dessa questão.
A receita ainda me irrita um pouco. O bolo já queimou e não há muita coisa a se fazer. Definitivamente não caibo nessa caixa, nem neste caixão.



sexta-feira

"Saio da vida para entrar na história"


Sempre gostei da máxima: “saio da vida para entrar na história”. Não pelo teor suicida da carta do Getúlio.

Em todos os momentos saímos da vida para entrar na história. Quem eu fui já não sou e quem eu sou já não fui. 

Tenho medo das análises. Tenho medo do perfil. Ouvi por aí que “Quem olha perfil, não olha de frente.”

Vai encarar?