Há alguns meses atrás escrevi um post pra lá de polêmico intitulado “Contar ou não contar ao parceiro sexual”. Talvez na época em que escrevi tenha me faltado clareza em alguns pontos e vejo a necessidade de explicitar essa questão nesse momento.
Primeiramente esclareço que parceiros sexuais para mim não devem, necessariamente, me passar qualquer confiança a além do prazer sexual. Confesso que tenho mudado muito e diminuído muito o ritmo de minha vida sexual, mas ainda assim transo com um cara que conheço na mesma noite dependendo do nosso apetite sexual.
O fato de não contar ao parceiro sexual a minha soropositividade para o HIV não significa que eu seria capaz de manter uma longa relação com esse segredo (embora não critique quem opte por isso) e muito menos significa que devo expor qualquer pessoa ao risco de contaminação sem que a mesma esteja amplamente ciente desse risco.
O que quero dizer é que transar com um soropositivo não implica, necessariamente, em risco de contaminação desde que o uso da camisinha seja algo acordado. Para conhecer as formas de contaminação pelo vírus HIV clique
AQUI .
Somente conto minha soropositividade para pessoas que me transmitem confiança, isso me é garantido pela
Declaração dos Direitos Fundamentais da Pessoa Portadora do Vírus da Aids. Certamente nunca esconderia de um namorado, mesmo porque eu apenas namoraria alguém em que eu confiasse, e se eu escondesse seria durante o tempo necessário para confiar nele. Entretanto, em todos os casos, sem nenhuma exceção, independente inclusive do item “confiança”, eu contaria para meu parceiro sexual caso acontecesse um acidente (como por exemplo a camisinha romper, ou qualquer outra forma de risco real de contaminação), pois assim a pessoa poderia evitar a contaminação. Se eu não expor a pessoa ao risco real de contaminação não contaria.
Opto por usar camisinha em todas as minhas relações sexuais entretanto opino que o uso da camisinha é SEMPRE uma responsabilidade compartilhada. Se me contaminei transando sem camisinha também tenho minha parcela de culpa. Obviamente isso tem vários pesos diferentes dependendo de cada caso. Existem casos que a transmissão é proposital, o que condeno como crime que é, outros transmitem sem saber. Cabe a cada um decidir pelo uso da camisinha e arcar com as conseqüências de seus atos (como estou arcando), e cabe a todo soropositivo usar camisinha em todas as relações sexuais, em minha opinião, se optar pelo não uso o parceiro deve estar ciente do risco de contaminação. E como já falei em caso de acidente acho que todos positivos devem avisar ao parceiro sexual para que o mesmo faça a profilaxia.
Como é feita a profilaxia em caso de acidentes? Basta procurar qualquer posto distribuidor de medicação anti-hiv, explicar a situação e seguir as orientações médicas. Esse procedimento é adotado também em acidentes hospitalares e reduz muito o risco de contaminação. Se o soropositivo em questão estiver fazendo tratamento e se sua carga viral for indetectavel o risco de contaminação também cai. Eu sabia dessa possibilidade quando me expus ao risco e não adotei as medidas que deveria. Sugiro a todos que adotem nas situações cabíveis.